
Frutas e legumes concentram os principais índices de contaminação por agrotóxicos.
Créditos: Fernando Frazão/Agência Brasil.
Agrotóxicos consistem em substâncias químicas sintéticas empregadas com o propósito de eliminar insetos, larvas, fungos e carrapatos. A justificativa por trás de seu uso é o controle das doenças disseminadas por esses vetores e a regulação do crescimento da vegetação, tanto em ambientes rurais quanto urbanos. No entanto, a presença prolongada e a absorção de quantidades variadas de agrotóxicos podem desencadear diversas doenças.
A manifestação depende do tipo de produto utilizado, do período de exposição e da quantidade absorvida pelo organismo na alimentação. Funções metabólicas, hormonais e imunológicas geralmente são as mais afetadas, podendo gerar efeitos crônicos e agudos a longo prazo no corpo humano. Além de trazerem danos à saúde de agricultores que lidam diretamente com essas substâncias, o risco é ainda maior para gestantes e crianças.
Um relatório publicado em dezembro de 2023 pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) mostra que 25% dos alimentos habitualmente consumidos pelos brasileiros apresentam resíduos de agrotóxicos, seja em quantidades superiores às permitidas ou provenientes de substâncias proibidas. As amostras foram coletadas em supermercados de várias regiões e cidades dos país entre 2018 e 2022.
Com base em um estudos de universidades e outras pesquisas, a Fórum listou alguns dos males que os agrotóxicos podem ser provocar tanto em trabalhadores rurais quanto na população em geral:
1 – Cânceres
O consumo excessivo e prolongado de agrotóxicos nos alimentos já está sendo associado ao aumento do risco de desenvolvimento de cânceres, sendo os mais frequentes os de mama, cerebral, pulmão e próstata. De acordo com o Instituto Nacional de Câncer (Inca), pode haver “uma proliferação, benigna ou maligna, descontrolada de células. Se for maligna, é câncer (como leucemia, linfomas, cânceres de mama, testículo, pulmão, etc).”
2 – Contaminação do leite materno
A exposição a agrotóxicos também representa um risco de contaminação do leite materno, com potenciais impactos na saúde do recém-nascido. Estudos conduzidos por instituições de ensino superior identificaram a presença significativa de substâncias agrotóxicas em amostras de leite materno. A pesquisa, realizada pela Universidade Federal do Mato Grosso (UFMT), na cidade de Palmas, coletou amostras de leite de 62 lactantes entre a segunda e a oitava semana pós-parto. A maioria das doadoras (95%), com idade média de 26 anos, incluindo 30% primíparas residentes na zona urbana, apresentou pelo menos um tipo de agrotóxico nas amostras analisadas.
4 – Intoxicação dos trabalhadores rurais
Além das implicações de longo prazo para a saúde, dados revelam um aumento anual nos casos de intoxicação por agrotóxicos. No período de 2007 a 2017, conforme o último levantamento oficial do Ministério da Saúde, foram notificados aproximadamente 40 mil casos de intoxicação aguda, resultando em quase 1.900 óbitos. O estado do Paraná, como o segundo maior produtor de grãos do país, destaca-se por apresentar o maior número de casos relatados.
4 – Doenças cardíacas, motoras e impactos nos órgãos
O glifosato, um dos agrotóxicos amplamente empregados – principalmente durante os quatro anos do governo Bolsonaro; é identificado como um agente capaz de desencadear doenças cardíacas. Sua utilização está associada a uma disfunção que, em estágios posteriores, pode progredir para insuficiência cardíaca, assim como para insuficiência renal. Doença de Parkinson, leucemia e alterações hormonais também são citadas em estudos relacionados.